• Identidade musical na moda

    1 de julho, 2015

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    Assim como a roupa que usamos diz tudo sobre nós, nosso gosto musical também nos define; assim também, ao olhar a playlist de alguém, passamos a entender melhor cada pessoa e sua personalidade.

    Usar a música para refletir a parte sensorial das marcas é o trabalho da Radio Ibiza, que surgiu em 2007, no meio de uma crise da indústria fonográfica provinda da criação das novas mídias e da democratização da música. No entanto, para eles, esse foi o momento certo para a criação da rádio, já que a crise não decorria dos produtores de música, pelo contrário, havia um excesso de matéria prima musical que agora podia ser produzida e gravada em qualquer lugar: desde um telefone móvel até grandes estudios; passou-se a ter a possibilidade de ouvir qualquer tipo de música e em qualquer lugar do mundo.

    Pedro Salomão, um dos dois sócios da Rádio Ibiza, formado em Administração pela PUC-Rio e com pós-graduação em Sociologia Política e Cultural, acabou indo para a campo musical por achar que a área de atendimento era muito amadora e, nessa época da crise fonográfica, ele criou a Rádio para suprir uma demanda que percebia nesse mercado, que era a de usar a música como ferramenta de comunicação das marcas.

    Segundo Pedro, a empresa nasceu nessa crise, “nós percebemos que as pessoas teriam que aprender como usar esse intenso acesso a música. Ao mesmo tempo que as pessoas não estavam sabendo como pesquisar as músicas, devido a uma imensidão de opções, as marcas também sofriam com esse problema e não conseguiam definir quais músicas definiam sua proposta.”

     

    Moda e música

    Pedro fala que a relação entre a música e a moda vem da velocidade exigida por esses dois campos; ao mesmo tempo que a cada instante são lançadas novas músicas, a cada estação são lançadas novas coleções de moda, que é decorrente do mercado fast fashion. A conexão dos dois vem desde muito tempo, a moda sempre esteve conectada com a música; grandes eventos e movimentos musicais sempre geraram tendências, tanto usadas pelos artistas como pelo público. Tendências como a jaqueta de couro e estampas como o xadrez saíram dos palcos de shows de rock e até hoje são ícones de moda, assim como hoje em dia o Coachela é sinônimo de lançamento de tendências como o estilo boho, por exemplo.

     

    Sobre a relação com seus clientes de moda

    Hoje em dia, 60% dos clientes da Rádio são marcas de moda, que sentiam a demanda de um serviço que ligava moda e música e conseguia expressar musicalmente o “feeling” da marca.

    Ele conta um pouco sobre o trabalho com algumas marcas. “A identidade musical da Farm, por exemplo, representa um perfil de meninas da Zona Sul que andam por todo Rio de Janeiro, indo para a Lapa e Baixada; após um estudo do universo musical, das coleções e da identidade da marca, a trilha sonora da Farm passou a ter samba e outros gêneros que representam o DNA da marca, o foco na criação de estampas e o estilo carioca.”

    Pedro conta alguns projetos mais desafiadores como o da Francesca Romana Diana, que é uma marca de uma designer italiana, mas que possui certa brasilidade; que vende semi jóias, mas ao mesmo tempo tem ligação com a natureza. Outros desafios como o da Mercatto, que é uma marca com um público muito diversificado; a Schutz, com a qual eles começaram a trabalhar quando ela já era uma marca de sucesso, a aposta no rock para a Taco, e trabalhos para marcas mais renomadas e que já estavam há anos no mercado como a Richards e a Cantão, o que demandou um trabalho de pesquisa muito intenso.

     

    Sobre a criação das trilhas sonoras

    Ele conta que nem sempre ocorre alteração na trilha sonora quando há mudança de coleção, já que algumas marcas que são muito musicais, tem um DNA próprio que independe da coleção. Cita como exemplo a Reserva, que não abre mão da música eletrônica, que representa o ritmo alegre dentro da loja e o tempo do vendedor correndo para subir as escadas da loja.

    As trilhas sonoras não são criadas pensando no target e sim na identidade musical da marca, como Pedro diz, “o sensorial é a verdade das marcas, trilha sonora é intuição, o que está dentro de você”.

     

    http://www.radioibiza.com.br

Raquel P. Fejgiel

Criei o blog em 2014, com a intenção de escrever sobre moda, gastronomia, lifestyle, beleza e viagens. Sou formada em Jornalismo na UFRJ, Produção de Moda pela Puc-Rio e Branding no IED Rio. Entre vários cursos que fiz na área de moda estão alguns como "Marcas que fazem a Moda no Rio" na Casa do Saber, Personal Stylist e Jornalismo de Moda no Instituto Rio Moda.

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